Cultura do estupro
- Sheila Kruger
- 24 de ago. de 2020
- 1 min de leitura
Em primeiro lugar, é necessário esclarecer que qualquer relação sexual sem consentimento é estupro. Não importam as circunstâncias. Geralmente imaginamos o estupro daquela menina que estava na rua e foi agarrada por um desconhecido, o que não é a realidade em boa parte dos casos. A maioria dos estupros são cometidos por pessoas conhecidas da vítima, e isso se deve, em grande parte, ao que chamamos de cultura do estupro.
Cultura do estupro é a normalização do sexo sem consentimento (= ESTUPRO), culpabilizando a vítima pela roupa que usava, quantidade de bebida ingerida, circunstâncias onde o crime aconteceu (“foi com ele pro quarto e queria o quê?”), vida sexual pregressa da vítima (“dava pra todo mundo”). É o resultado de uma cultura que cria homens para serem “machões”, “pegadores”, que considera o homem uma bomba ambulante de testosterona prestes a explodir e sem controle (“ela provocou o cara”). Foi pra casa do cara, se ele aceitou um não, é porque não é bem macho!
Parece tão básico, mas como tudo sobre a mulher, a gente tem que estar o tempo todo reafirmando: NÃO é NÃO! Ela não estava “se fazendo”. Em qualquer momento, tudo o que vier depois do “não” é assédio e/ou estupro. Pode ser desde uma conversa insistente num bar até mudar de idéia dentro do motel! NÃO é sempre NÃO! Isso inclui também pessoas que não estão em condições de dar o seu consentimento, como quando acontece a ingestão de bebida alcoólica (acreditem, as mulheres também bebem e não é certo ingerir em excesso, mas acontece com homens e mulheres!). Lembro ainda que estupro é CRIME, em qualquer circunstância também!



Comentários