Quem sou eu?
Eu sou a Sheila, tenho 41 anos, sou mãe da Manuela, 15 anos, do Leonardo, 9 anos e da Beatriz, 5 anos. Sou casada com o Leonardo, que é meu parceiro de vida e de alma.

Quem sou eu como médica?
Volta para aquela frase do início: “Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.” Eu comecei minha vida médica com essa frase na cabeça. Porque conhecer toda a teoria e dominar as técnicas é MUITO importante na medicina. Mas a medicina deixa de existir quando o ser humano do outro lado deixa de ser um ser humano, e se torna um número, um leito, uma doença, ou apenas um paciente.
Nunca teve isso de “não se envolver”, e é por me envolver que eu cheguei na ginecologia. Eu me formei em 2005 e comecei minha carreira na medicina de família e comunidade. Trabalhei na Estratégia de Saúde da Família por 3 anos, e lá acabei por “me envolver” com o universo da mulher. Aí veio a escolha pela residência médica em ginecologia e obstetrícia. Fiz minha formação no Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Porto Alegre, com profissionais fantásticos que guardo no meu coração até hoje. Por motivos familiares, especificamente para ter mais tempo para a família, optamos, eu e meu esposo (que terminava também a residência médica em cirurgia torácica), por voltarmos para o interior do estado.
E foi aqui, no interior do estado mais machista do Brasil, trabalhando com a assistência à saúde da mulher, que eu me deparei com a realidade do “ser mulher” nesta sociedade.Claro, como para muitas, tudo começou com o contato com o parto humanizado. Assistir mulheres sendo protagonistas poderosas de
suas próprias histórias mexeu comigo. E me fez enxergar a realidade paternalista da relação médico-paciente, com seu recorte patriarcal quando a paciente é uma mulher. E o quanto isso atingia não apenas a obstetrícia, mas todas as áreas do cuidado da saúde da mulher. E deste lugar de crítica que venho tentando construir um novo caminho para a saúde da mulher. Primeiramente com a obstetrícia, onde tudo começou. Onde eu quis saber todas as evidências e as melhores técnicas para aprender que eventualmente eu não precisaria fazer nada. Fiz uma pós-graduação em ultrassom e outra em medicina fetal, as quais me deram muita segurança para exercer a obstetrícia da melhor maneira: geralmente apenas estando ao lado (“obstare”). Mas também com segurança para fazer as intervenções certas no momentos necessários.
Mas como mulher, também passei a analisar a autonomia e o protagonismo nos meus outros recortes de vida, da educação sexual de filhos/crianças, de uma filha adolescente, de uma vida reprodutiva se encaminhando para o climatério e o questionamento: o que será do climatério e da menopausa? Assim fui adentrando em todas as searas da vida da mulher, trazendo minha própria experiência como mulher e buscando na ciência o que diziam as evidências científicas e de que forma isso poderia interessar à mulher que estivesse na minha frente como paciente. Hoje procuro exercer, claro, uma ginecologia baseada em evidências científicas, mas que, acima de tudo, respeita a autonomia e o protagonismo da mulher.
Saúde e qualidade de vida
Aquela coisa, né… Que a formação médica é focada na doença e não na saúde, e excessivamente “envolvida” com a indústria farmacêutica. Mas é mais que isso. É quase uma descrença coletiva, de médicos e pacientes, na saúde. Desenvolvemos uma sociedade altamente tecnológica e produtiva, que exige de nós cargas enormes de tempo e vida, as quais nunca colocamos na balança para saber se valem a pena.
Junto com esse desenvolvimento tecnológico , o tipo de doença mudou, mas o cuidado das pessoas não evoluiu neste mesmo sentido. A medicina surgiu para combater doenças infectocontagiosas que dizimaram populações, patologias cirúrgicas, como apendicite, que outrora era mortais. Uma vez
Atividade física
resolvidas essas questões, começamos a adoecer de nós mesmos. De uma falta crônica de saúde e qualidade de vida. De coisas que não são resolvidas com uma cirurgia ou 7 dias de antibiótico. Apenas recentemente a medicina parece estar acordando para o que existe além da doença e dos números. Para a mente e a alma além do corpo. Talvez porque a própria medicina seja uma grande ladra da qualidade de vida. Eu demorei anos para perceber. Anos, uma pré-diabetes e um burnout me fizeram questionar todo status quo e querer mudar de vida. E ser um exemplo do que eu recomendo para as minhas pacientes: saúde é mexer o corpo, ter intimidade com ele, ter qualidade de sono, ter tempo para transar bem, é ficar com os filhos, comer bem, e ter uma mente calma, que habita em paz um corpo saudável.
"Corpo são, mente sã."
Eu posso dizer que a corrida me fez mudar minha vida. Não que eu seja uma grande corredora ou mesmo que vá ser um dia, mas é um esporte que exige muito dos sedentários como era eu, e para conseguir treinar e continuar no esporte, eu tive que mudar minha vida e isso me fez perceber o quanto eu não tinha tempo e o quanto cuidar do meu próprio corpo, onde minha mente habita, era a última coisa na ordem de importância do meu dia. Eu fazia de qualquer jeito. Para conseguir correr, eu tive que arrumar tempo para comer bem, dormir bem, fazer musculação/fortalecimento e não viver estressada. Eu aprendi que o corpo todo é só um. Se o trabalho está muito estressante, vou me machucar mais fácil no esporte. Tudo é uma balança e a questão é equilibrar os vários lados.
Falando em equilíbrio, hoje tem o yoga também. E dança do ventre… hahaha. Tem uma frase fantástica, de autor desconhecido, que diz “be brave enough to suck in something new” (seja corajoso suficiente para ser ruim em alguma coisa nova). Essa sou eu na vida!


E essa é a vida que eu desejo para as mulheres: uma vida cheia de LIBIDO, a energia vital que move nossos desejos e nosso tesão pela vida! Se tiver que mudar, seja corajosa para mudar! Coloque você em primeiro lugar! Seja feliz, tenha prazer! Sem se preocupar com performance! Seja no esporte, seja no sexo, seja na vida: goze! Eu tô aqui pra te ajudar, como mulher ou como médica!
